Reflexão sobre uma palavra do nosso querido pastor Misael Cardoso, hoje.
A caminhada com Deus não acontece por acaso. Ela segue um processo espiritual intencional, revelado repetidamente nas Escrituras. Muitos desejam a unção, mas poucos compreendem o caminho que leva até ela — e, principalmente, a responsabilidade que vem depois.
De forma simples, a Bíblia nos mostra uma ordem clara:
1. Deus chama,
2. o homem responde buscando,
3. Deus unge, e
4. o homem precisa zelar por aquilo que recebeu.
Ignorar qualquer uma dessas etapas gera desequilíbrio espiritual.
1. O chamado sempre começa em Deus
Nenhuma jornada espiritual verdadeira nasce da iniciativa humana. É Deus quem chama.
Jesus foi direto ao afirmar:
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer.” (João 6:44)
Isso significa que o desejo de conhecer a Deus, de se aproximar dEle ou de servi-lo já é, em si, um sinal de que o chamado aconteceu primeiro.
Muitas vezes, esse chamado não vem com voz audível ou experiências sobrenaturais evidentes. Ele pode surgir como:
Um incômodo no coração
Uma inquietação espiritual
Uma Palavra que toca profundamente
Um momento de crise ou quebrantamento
Abraão não pediu para ser chamado.
Moisés não estava procurando liderança.
Davi não se ofereceu para ser rei.
Paulo não buscava conversão.
Em todos esses casos, Deus tomou a iniciativa.
O chamado revela graça. Ele não depende de preparo, currículo espiritual ou perfeição moral.
Deus chama quem Ele quer, quando quer e como quer.
2. O chamado exige resposta: a busca intensa
Embora o chamado venha de Deus, a resposta é responsabilidade humana.
Deus chama, mas não força. A partir do momento em que somos despertados espiritualmente, somos convidados a buscar a Deus de forma consciente, profunda e perseverante.
“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)
Buscar a Deus não é apenas orar quando há problemas.
Envolve:
Tempo constante com Ele
Leitura e meditação na Palavra
Renúncia de práticas que afastam da presença
Disposição para obedecer, mesmo quando é difícil
Essa fase é fundamental porque a busca molda o caráter. Antes de Deus confiar poder, Ele trabalha o coração. Antes de usar alguém publicamente, Ele trata essa pessoa no secreto.
Davi foi ungido ainda jovem, mas passou anos sendo lapidado no anonimato, no campo, nas cavernas e nas perseguições. A busca prepara o interior para sustentar aquilo que Deus deseja derramar.
3. A unção é consequência, não ponto de partida
A unção não é o início da caminhada espiritual.
Ela é resultado de um processo.
Biblicamente, a unção representa:
Capacitação espiritual
Separação para um propósito
Autoridade concedida por Deus
A ação do Espírito Santo sobre alguém
“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo.” (Atos 1:8)
É importante entender que a unção:
Não é prêmio por bom comportamento
Não é sinal de perfeição espiritual
Não é autorização para orgulho ou abuso
Ela é ferramenta para servir, não para se exaltar.
Sansão tinha unção, mas não cuidou do caráter. Saul foi ungido rei, mas desprezou a obediência. Davi também foi ungido, falhou gravemente, mas soube se quebrantar e voltar-se para Deus.
A unção não elimina a necessidade de vigilância; pelo contrário, aumenta a responsabilidade.
4. A unção precisa ser cuidada e preservada
Este é o ponto onde muitos tropeçam.
Receber a unção é marcante. Permanecer nela exige zelo diário.
Paulo adverte:
“Não entristeçais o Espírito Santo de Deus.”
(Efésios 4:30)
Zelar pela unção envolve:
Vida de santidade
Humildade constante
Temor do Senhor
Obediência contínua
Sensibilidade à correção de Deus
A unção não se perde de uma hora para outra. Ela vai se apagando quando a presença deixa de ser prioridade, quando o ego cresce mais do que o temor, e quando a obediência é substituída por conveniência.
Saul perdeu a unção não por falta de dons, mas por desobediência e orgulho. Davi, mesmo após errar, preservou seu relacionamento com Deus por meio do arrependimento genuíno.
Conclusão: um caminho que precisa ser respeitado
A vida espiritual saudável segue uma ordem clara:
1. Deus chama
2. O homem responde buscando
3. Deus unge
4. O homem zela pela presença
A unção que não é cuidada se torna peso.
A presença que não é valorizada se afasta.
Mas aquele que guarda o que recebeu cresce, amadurece e permanece frutífero.
“Aquele que é fiel no pouco, também é fiel no muito.”
(Lucas 16:10)
Oração:
Senhor, abençoe cada um que leu esta reflexão e nos ajude a passar por todas as fases desde o chamado até a manutenção da unção em nossas vidas. Para aqueles que perderam a unção, toca novamente, Senhor, para que retorne a busca e o zelo em manter a presença diária em sua vida. E que todo o Teu propósito venha a ser realizado em nossas vidas. Amém.